Desafio: o papel do líder no pós-pandemia

Este ano será lembrado por grandes mudanças. Praticamente todas as empresas precisaram adaptar seus processos, a mais brusca de todas foi a da passagem do trabalho presencial para o remoto, revelando fragilidades na comunicação e no atraso em relação à transformação digital.

Uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 90% das empresas consultadas fizeram mudanças em relação aos funcionários e 75% aprimoraram a gestão.

Com esse novo comportamento atrelada à pandemia, a liderança tem papel fundamental para a efetividade das ações definidas pela empresas, focando em treinamentos e transformações.

Um estudo publicado por pesquisadores da universidade de Harvard, na revista Science, revelou que provavelmente tenhamos que alternar em uma sequência intermitente de isolamento social até o ano de 2022, caso não tenhamos o desenvolvimento de uma vacina eficiente até lá.

Diante da nova realidade imposta, algumas competências serão decisivas para as lideranças no momentos pós-pandemia.

Líderes em empresas de tecnologia compartilham dicas de habilidades que serão a chave para o sucesso das empresas nos próximos meses. 

Mantenha a equipe unida, ainda que distante

Jonatan da Costa, CEO da Área Central, empresa especialista em gestão de centrais de negócios, compartilha que neste momento é essencial manter a proximidade, ainda que cada um esteja na sua casa:

“Ações internas para engajamento do time fazem toda a diferença porque é por meio delas que conseguimos nos unir, conhecer melhor os colaboradores e mostrar que a empresa está preocupada com o bem-estar de todos”.

Na empresa foi feita uma sequência de lives em que a cada edição um profissional convidado apresentava algum talento como cozinhar, dar uma aula de yoga, fazer um show musical. 

O empresário acredita que o momento é o cuidado com as pessoas:

“Em nossa jornada, construímos uma cultura de pessoas para pessoas, um ambiente inovador, com transparência dos processos, com abertura para que todos tenham voz, e que se sintam produtivos e evoluídos”.

Manter a conexão com as pessoas também é o conselho dado pela Rosilene Schuldt, gestora de marketing da WK Sistemas, empresa de Blumenau referência em ERP.

A organização implementou o modelo de home office pela primeira vez para mais de 150 colaboradores, e sentiu a necessidade de continuar mantendo as pessoas unidas, ainda que não houvesse um momento presencial de pausa para um almoço ou café.

“É importante manter uma rotina de alinhamentos em grupo e individuais e estar disponível para a equipe, porque não estamos isolados só no trabalho, também estamos socialmente distantes uns dos outros”, comenta.

Ela também acredita que é essencial ter uma cultura forte e sólida para passar por momentos conturbados da melhor forma possível:

“Nosso time se adaptou rapidamente e a produtividade não caiu. Ter nossos valores muito fortes e uma comunicação transparente foram fatores fundamentais para que nós minimizássemos ao máximo todas as possíveis dificuldades que a pandemia trouxe – e quaisquer outras que apareçam”.

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Crie novas metas e estratégias

É fato que ninguém estava preparado para lidar com a pandemia. Com isso, os líderes precisaram rever toda a estratégia e o planejamento da empresa.

No pós-pandemia não deve ser diferente, a cada novo cenário, um novo plano deve ser traçado. 

E, assim como com as mudanças das prioridades, as metas também precisarão ser ajustadas.

“É essencial estar de olho no mercado e no cliente, pois são eles que ditam as regras do negócio”, compartilha Guilherme Verdasca, CEO da startup open banking Transfeera.

A fintech, no início da pandemia, revisitou todo o seu planejamento de metas do ano, focando os esforços no que realmente poderia dar resultado.

“O nosso saldo foi muito positivo, crescemos muito nesse período, graças a nossa visão estratégica e ao entendimento do que o mercado carecia”, conta o empreendedor.

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Ouça seus colaboradores

Ouvir a equipe antes de tomar decisões é importante para qualquer empresa que se preocupa em criar e manter um bom clima organizacional.

Com a pandemia, escutar os colaboradores se tornou ainda mais fundamental nos processos decisórios, como, por exemplo,  definir a volta ou não para o escritório.

Na Effecti, startup de Rio do Sul especializada em tecnologia para licitantes, foram realizadas algumas pesquisas internas para entender como as pessoas estavam se sentindo nesse momento.

“Com base nos resultados, deixamos como opcional o retorno sempre respeitando uma quantidade máxima de pessoas no escritório. A tendência é adotarmos um modelo híbrido, pois muitos funcionários relataram que estão mais felizes trabalhando de casa e percebemos que a produtividade até aumentou em alguns casos”, explica Fernando Salla, CEO da Effecti. 

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Adapte sua cultura

Para se adaptar ao novo cenário, o Asaas, de Joinville, fez algumas mudanças na cultura da empresa.

A fintech incorporou uma plataforma de gestão de pessoas chamada Feedz durante a pandemia.

De acordo com o CEO da fintech, Piero Contezini, a ferramenta permite medir o clima organizacional da empresa e planejar ações mais estratégicas para garantir o bem-estar de todos. Junto com o co-founder, Diego Contezini, ele também se reúne semanalmente com os colaboradores de forma online, mantendo uma gestão transparente e próxima.

Diante da nova realidade,  a empresa ainda resolveu reformular seu escritório e flexibilizar a forma de trabalho.

Com a pandemia, todos estão em home office, mas a ideia é manter o sistema remoto mesmo após esse período.

“Os colaboradores poderão continuar com notebooks, cadeiras e demais equipamentos da empresa em casa no pós-pandemia. Já a sede do Asaas passará a contar com 180 pontos de trabalho que serão usados como coworking por quem preferir”, explica Piero.

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Não espere para inovar

Na Diálogo Logística, especialista nacional em entregas de itens leves, inovar é um estado de espírito. Na pandemia as ações de inovação da empresa foram intensificadas, puxadas pela aplicação da baixa de entrega de mercadoria por comando de voz, melhorando a segurança de clientes e entregadores.

Para Ricardo Hoerde, CEO da empresa, a tecnologia e a inovação foram aceleradas com o coronavírus e vão capitanear a evolução da empresa nos próximos anos:

“O mercado demanda empresas ágeis e que tenham soluções rápidas para resolver os seus problemas, a Diálogo busca desde o recrutamento trazer pessoas com cabeça pronta para inovar: é preciso ter uma busca constante por inovação, listar e priorizar as dores e tentar resolvê-las com agilidade, cabeça aberta e sem medo de errar”.

Além disso, de acordo com ele, uma empresa que quer ser inovadora não pode penalizar pelo erro:

“O erro é parte constante do aprendizado e de uma empresa inovadora. Isso faz parte da cultura da empresa e todos os líderes precisam buscar e estimular a inovação. Não estou falando de nada fora da curva, uma pequena inovação já ajuda a melhorar a produtividade, diminuir tempo, reduzir custo ou melhorar a experiência do cliente”.

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O ambiente é plural, mas não esqueça do singular

Para Renato Navas, Head of People Science da Pulses, startup que tem soluções de clima organizacional medidos de forma contínua, a pandemia acabou trazendo uma experiência para trabalhar a presença e consideração, que são uma atenção ao que acontece comigo, com o outro, entre nós e com o ambiente.

Isso porque o cenário trouxe uma necessidade de adaptações de conceitos e ações para um contexto onde não havia precedentes de como agir, que acabou evidenciando ainda mais a necessidade dos líderes levarem em consideração cada colaborador enquanto indivíduos.

“Neste contexto plural em que vivemos, muitas vezes temos que tomar decisões nos baseando na média. Mas não podemos esquecer que as empresas são feitas de pessoas, e cada uma tem suas particularidades e formas de lidar com o que está acontecendo aqui e agora. Por isso é interessante escutar de forma global, mas agir considerando o local. Assim, ajustes e adaptações podem ser feito para privilegiar cada grupo”, destaca.

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