Para especialista, trabalho híbrido exige resiliência e organização para ser bem-sucedido

A implementação do modelo híbrido de trabalho já é uma realidade para os gestores. De acordo com um estudo realizado pelo Aon Push Survey, ao menos 84,9% das empresas devem adotar a modalidade no próximo ano. A pesquisa desenvolvida pela PwC aponta que esta também é uma preferência de 72% dos colaboradores.

Roberto Vilela, consultor empresarial e mentor de negócios, afirma que o sucesso da modalidade híbrida depende da maturidade com que os profissionais vão lidar com o novo momento:

“A resiliência é um termo amplo que, quando aplicado aos indivíduos, trata sobre a habilidade de se adaptar às adversidades. O último ano nos trouxe várias e, ainda que a flexibilização do trabalho tenha sido uma necessidade a qual nos adaptamos com rapidez, essa mesma agilidade não se aplica à  mudança do nosso mindset. Estamos acostumados à proximidade, ao compartilhamento. Então, mais do que se adaptar, o profissional ainda precisa desenvolver a habilidade de se manter motivado, produtivo, administrando o estresse e as expectativas que o cercam”.

Porém a maneira que essa retomada ocorrerá ainda é uma incógnita. Isso porque, após a migração radical dos funcionários para o home office, as dinâmicas corporativas também passaram por transformações.

“As percepções de toda a pirâmide organizacional mudou, destacando necessidades e alterando o que antes era prioridade. Nesse cenário o profissional deve enxergar as mudanças que precisam ser aplicadas e compreender que o mercado como um todo apresenta novas demandas. E aí que entra em questão a maturidade do profissional, porque ainda que a força de trabalho seja híbrida, como manter as interações no mesmo formato e com a mesma qualidade?”, complementa o especialista.

A adaptação, segundo ele, é incerta principalmente pelas mudanças culturais e a revisão de conceitos antes estabelecidos:

“O profissional sempre precisou saber conciliar a vida profissional com a pessoal, mas antes havia uma separação entre esses ambientes que tornava mais fácil distinguir os ambientes. Agora essa conexão ficou muito mais próxima, então há uma demanda importante de se desenvolver a consciência necessária para saber discernir esses dois  aspectos dentro de um mesmo ambiente”,.

A visão dele vem ao encontro do levantamento realizado pela Orbit Data Science onde 45% dos brasileiros demonstraram insatisfação após alguns meses de home office integral. 

“O contato humano é essencial, sempre foi. Ainda que não retornemos a mesma normalidade que possuíamos antes da pandemia, esses valores continuarão sendo importantes porque é por meio deles que o profissional se desenvolve, compartilha experiências e estreita o relacionamento com o mercado de trabalho. Então, neste novo mundo, precisamos saber aliar o que havia antes com o que virá, desenvolvendo uma nova forma de se portar tendo como base todos os ensinamentos que o mercado já trouxe. A transferência de cultura e a colaboração vão além do que as ferramentas tecnológicas podem oferecer e precisa ser praticada pela equipe para potencializar os resultados individuais e coletivos”, explica.

Com a complexibilidade trazida pelas novas modalidades de trabalho, as particularidades de cada trabalhador e um mercado cada vez mais competitivo, o momento de retomada, de acordo com Roberto, apresenta a consciência como um novo pilar:

“Devem ser norteadores para os profissionais neste momento: a consistência, a coerência e o comprometimento. Esse não é um cenário com o qual estamos acostumados e buscar se aperfeiçoar será um ingrediente de valor para o novo paradigma que se criou”.

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