Empreendedorismo feminino: como um podcast está transformando o happy hour em papo sério sobre mulheres e negócios

O mês de novembro traz um tema que proporciona diversas discussões. Mulheres cada vez mais têm conquistado sua voz e seu espaço na sociedade, principalmente no empreendedorismo. Especificamente no dia 19 deste mês é comemorado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino e, como um único dia não seria suficiente, produzimos uma série com 30 entrevistas de mulheres fantásticas para falar sobre o tema. 

Hoje conversamos com Caroline Marino, jornalista e apresentadora do “Happy Hour Com Elas”, podcast de carreira e empreendedorismo feminino. Confira abaixo: 

Qual foi o start do podcast Happy Hour com Elas? 

Apesar de já termos avançado na questão de gênero no ambiente corporativo e no empreendedorismo, com mais mulheres líderes e à frente de negócios, ainda há muito a ser feito. Somos minoria nos cargos de gestão das empresas e tocando startups, há menos mulheres como speakers de eventos e ainda sofremos com o mundo padrão de “homens brancos de negócios”.  Por que nos eventos eles ainda são maioria se há tantas mulheres com bagagem pra isso? Por que presidem mais companhias se existem tantas mulheres preparadas? E falo isso num cenário em que nós, mulheres, estudamos 16% mais do que os homens, segundo dados da Global Entrepreneurship. Mas ganhamos 22% menos. No universo do podcast, não é diferente. A representação feminina também vem ganhando espaço aos poucos. Em 2019, ano de estreia do Happy Hour Com Elas, um levantamento feito pelo Ibope mostrava a podosfera como um ambiente dominado pelos homens: 87% dos podcasts no Brasil, naquele ano, eram produzidos por eles. Foi dessa inquietação que nasceu o Happy Hour Com Elas. Da vontade de três mulheres — Patrícia Sperandio, produtora e idealizadora do HH; Fabiana Altran, diretora-executiva do podcast e sócia-diretora da Rádio 2 (que produz o programa); e eu — de aumentar o volume da voz das mulheres nas mais diferentes áreas. De um lado, queremos contribuir para que esse mercado seja cada vez mais diverso, com mulheres nas mais variadas funções — como roteiristas, apresentadoras, técnicas de som e editoras. De outro, queremos ajudar as mulheres no desenvolvimento de suas carreiras e nas questões comportamentais e psicológicas tão importantes hoje em dia.

Como é feita a escolha das entrevistadas? Quais temas são levados para as conversas?

Temos um processo minucioso de pesquisa para a escolha das entrevistadas, sempre buscando as melhores especialistas em carreira e empreendedorismo, e personagens que vivem na pele as dores e delícias do universo do trabalho. Pensamos sempre, também, na pluralidade de vozes, olhares e pensamentos para aprofundar temas relevantes no mercado atual. São consultoras, empresárias, professoras, antropólogas, psicólogas… Nesses quase dois anos de projeto já ouvimos mais de 120 mulheres inspiradoras e competentes que enfrentam seus medos, acreditam em suas competências e quebram estereótipos de gênero. Buscamos sempre os temas que estão despontando e as questões importantes no universo corporativo e de negócios. Na primeira temporada, abordamos temas como reinvenção, networking, sobrecarga de trabalho, transição de carreira e como escolher a sócia ideal. Na segunda, falamos sobre o futuro do trabalho, com episódios que debateram temas como autogestão, protagonismo de carreira e novos tipos de jornada de trabalho. Fizemos, ainda, uma minissérie em parceria com a Rede Mulher Empreendedora (RME) sobre mulheres em situação de vulnerabilidade, como periféricas, gordas e trans. E, agora, estamos preparando a terceira temporada.

Um dos temas que você aborda é a questão da mudança de carreira. Para mulheres, esse momento é diferente? Quando é hora de empreender ou tentar algo novo?

As mulheres, geralmente, têm mais dificuldade de se sentirem preparadas para as mudanças. Achamos sempre que falta algo: um curso, uma competência… Não é à toa que nos candidatamos menos às vagas do que os homens. Sempre pensamos que precisamos dar “check” em todos os requisitos. Tem também a tal da voz da síndrome da impostora, que está ligada à baixa confiança no próprio desempenho e acomete muitas mulheres. Isso cria um desafio a mais na transição de carreira, que exige muita coragem, planejamento e segurança. Mas a transição de carreira é bem comum no universo feminino, principalmente o movimento de sair do ambiente corporativo para empreender. Isso acontece pelo desejo de ser mais dona da agenda e, assim, ter mais tempo com a família e os filhos, e estar à frente de um negócio mais alinhado aos valores pessoais. Quanto à hora certa de fazer uma transição de carreira, eu diria que é quando a mulher não está mais satisfeita com os rumos de sua vida profissional ou como reflexo de uma mudança no mercado.

Como o podcast impacta mulheres?

O Happy Hour Com Elas mostra que temos de ser mulheres possíveis, desconstrói o mito da Mulher Maravilha. Tá tudo bem derrubar um dos pratos de vez em quando e parafraseando uma das convidadas da primeira temporada, a terapeuta de mulheres Cris Linnares, autora do bestseller “Doidas no Divã”, de vez em quando a gente precisa tirar as botas pesadas e a capa de heroína. E mostra os caminhos para ser bem-sucedida no trabalho, passando pelas competências técnicas e comportamentais e, principalmente, conservando nossa saúde mental.

Quais os maiores aprendizados que você tirou com a produção desse podcast?

Eu aprendo a cada episódio. Tive o prazer e o privilégio de conversar com mulheres incríveis ao longo das duas temporadas e da minissérie “Vozes da Resistência”. Entre os aprendizados estão: incorporar as pausas no meu dia a dia; saber dizer não ao que não diz sim ao meu coração; que tudo é possível, não importa os obstáculos que temos de ultrapassar; e algo que pode parecer clichê, mas é verdade: que podemos ser exatamente o que quisermos e sempre é tempo de se reinventar.

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