Economia SC Drops: Como a inovação está transformando o conceito de urbanização e tornando-o mais inteligente

A inovação está transformando o conceito de urbanização. As chamadas cidades inteligentes, cada vez mais presentes no mundo, é uma solução sustentável focada em questões como a qualidade de vida do cidadão, mobilidade e preservação do meio ambiente.

Uma das metodologias que tem contribuído com esse desenvolvimento é da Habitat 4.0, uma startup desenvolvida pelas empresas Abstrato.co e EXXAS Business. A metodologia auxilia a gestão municipal, solucionando gargalos e problemas que possam dificultar o desenvolvimento de municípios em todo o Brasil.

Para saber mais sobre o assunto, o Economia SC Drops conversou com Giovani Bernardo, CEO e co-fundador da Habitat 4.0, além de membro de diversas organizações de inovação em Santa Catarina. Confira abaixo:

Giovani: Primeiramente é importante fazer uma leitura da evolução da urbanização no mundo, apesar de no Brasil aproximadamente 85% da população viver em áreas urbanas, essa não é uma realidade no mundo. A ONU prevê que em 2050 dois terços da população global viverá nas cidades, o que traz consigo um conjunto de desafios e oportunidades. Apesar de termos bons exemplos de cidades planejadas no Brasil, essa ainda é uma realidade que está longe da grande maioria das pessoas. Muitas cidades ainda subestimam a importância de uma urbanização mais inteligente, que considere a qualidade de vida como ponto central da sua estratégia, que compreenda que a funcionalidade é importante, mas o aspecto visual da cidade também importa. A infraestrutura, das básicas como o saneamento, passando por espaços públicos estruturados e atraentes, são fatores-chave para maior engajamento dos cidadãos, atração de talentos e investimentos, elementos muito relevantes para impulsionar a economia urbana. Bairros planejados, com espaço público adequado, infraestrutura e instalações de transporte público convidam as pessoas a deixarem seus carros em casa, incentivam a mobilidade alternativa como o uso de bicicletas e outras formas de mobilidade, promovendo o bem-estar e reduzindo as emissões de carbono. Além disso, a entrega de ruas pensadas para pedestres e estruturas públicas onde os moradores possam se encontrar, como centros esportivos, praças e parques – promovem a conectividade social e a diversidade, tornando os bairros mais coesos, animados e mais atraentes, seja para os residentes, investidores ou visitantes. Do ponto de vista ambiental, o planejamento urbano deve fomentar uma economia verde, incentivando a adoção de tratamento dos resíduos, energia alternativa, reaproveitamento de água, etc. 

Quais os principais desafios de bairros planejados?

Giovani: Em geral, um dos principais obstáculos é cultural, pela falta de direcionamento dos governos em nível nacional ou subnacional, pela ausência de planejamento compartilhado e políticas públicas que incentivem o desenvolvimento desse tipo de empreendimento. Uma grande massa dos municípios brasileiros sofre com ocupação desordenada, irregular e sem infraestrutura básica. A expansão ordenada requer que estruturas regulatórias fortes acompanhem o processo de planejamento. Pelo aspecto regulatório, que muitas vezes impede que governos sejam mais inovadores, é a iniciativa privada que têm a maior responsabilidade de executar projetos diferenciados. Aos governos resta fomentar, incentivar e atrair investidores que tenham este pensamento. Outro obstáculo está na visão que só tecnologia resolve, o que não reflete a realidade do pensamento de Habitats Inteligentes. A tecnologia é um dos canais responsáveis por entregar mais comodidade e qualidade de vida, mas não o único. Um habitat inteligente, seja uma rua, um bairro ou uma cidade, deve ser olhado por uma ótica mais ampla, que considere múltiplos fatores, como: meio ambiente, moradia, mobilidade, economia, sociedade e governo. Cada um destes elementos deve ser individualmente analisado com o objetivo de identificar como podem ser ativados, pois é a partir desde olhar que será possível construir espaços planejados, voltados para pessoas, sendo mais inteligentes, humanos, inteligentes e sustentáveis.

Como a Habitat 4.0 atua? O que tem de inovador?

Giovani: Acreditamos que os habitats inteligentes devem ser baseados na consideração dos cidadãos, ou seja, que deve ser inteligente para as pessoas que ali convivem. Para nós o objetivo central do desenvolvimento destes ambientes é resolver problemas sociais e melhorar a satisfação dos cidadãos. As tecnologias são um dos meios pelos quais esses objetivos são alcançados. As cidades inteligentes do futuro devem ter uma abordagem centrada nos cidadãos e orientada para os problemas, onde as questões sociais que impedem a satisfação dos residentes são tratadas com prioridade e que cada solução planejada seja voltada para a resolução destes problemas. A Habitat 4.0 atua na construção destes espaços (sejam edificações, ruas, bairros ou cidades) a partir de três pilares: planejamento estratégico, governança e posicionamento estratégico. A partir de um olhar 360 graus do território, envolvendo os mais diversos stakeholders, desenvolvemos de forma co-criada estratégias que entreguem o máximo benefício para as pessoas que ali vivem. Porém acreditamos que esse processo deve ser acompanhado de uma governança capaz de engajar as pessoas, que garanta que o que foi planejado não se perca no tempo e que o objetivo final esteja alinhado com todas as partes interessadas. A partir deste conjunto de ações o território está pronto para apresentar seu posicionamento estratégico, posicionamento este que seja capaz de atrair talentos e investimentos, gerando benefício para todos. Em resumo, ajudamos a criar ambientes propícios para a colaboração, o engajamento e a atração de talentos e investimentos, elementos essenciais para um desenvolvimento ordenado e contínuo.

Qual o potencial de SC para esse modelo?

Giovani: De uma forma geral Santa Catarina é um estado que favorece o desenvolvimento deste tipo de iniciativa, mas somente a partir dos últimos anos esse movimento começou a ganhar mais força. Empreendimentos privados e de iniciativa pública começam a dialogar com maior intensidade em iniciativas de entidades como LIDE SC, Acate e Fiesc, que têm trabalhado o tema Cidades Inteligentes com maior ênfase. Além disso, políticas públicas de incentivo a empreendimentos inteligentes começam a surgir, a exemplo da Lei Complementar número 231/2019 do município de Tubarão que estabelece uma série de critérios para a implantação de loteamentos planejados na cidade, além de uma política de incentivo tributário. Projetos privados como a Pedra Branca em Palhoça, um dos pioneiros no estado, e o recentemente lançado Vivapark em Porto Belo, são exemplos práticos da aplicação de um processo de construção de bairros inteligentes. Porém este movimento tem ganhado força também na iniciativa pública, atualmente, em parceria com o Sebrae através do Programa Cidade Empreendedora, estamos ajudando cidades como Capivari de Baixo e Imbituba no sul do estado, e São José na grande Florianópolis, a desenvolverem um planejamento que as tornem mais inteligentes, atrativas para investidores e agradáveis para moradores e visitantes, este é um processo que veio para ficar, um movimento global que se espalha a passos largos.

Quais os próximos passos da empresa nesse segmento?

Giovani: Estamos avançando com nossa expansão para outros estados, construindo parcerias e integrando os principais grupos de discussão do tema Cidades Inteligentes no Brasil. Nossa visão é ser o vetor de impacto direto no futuro das cidades inteligentes e criativas no Brasil, seguiremos avançando nesse sentido, colaborando com a transformação do país que, em nossa visão, inicia pela transformação das cidades.

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