Economia SC Drops: As tendências em investimentos para o ecossistema de inovação no cenário pós-pandemia

Ideias inovadoras seguirão impulsionando o mercado e todos os que optarem por não se associarem a este movimento, certamente, em algum momento, serão expelidos do sistema. Essa afirmação da CEO da Leonora Ventures, Ana Paula Debiazi, ao Economia SC Drops dá uma ideia de como o mundo dos investimentos deve atuar nos próximos anos. Confira abaixo:

Como o investimento em ideias inovadoras impulsiona o mercado?

Ana Paula: Mais do que nunca empresas precisam olhar para a inovação como diferencial competitivo, vemos o crescimento do corporate venture como um sinal de que muitas já se deram conta, de que não existe um futuro de crescimento e perpetuidade de negócios se não forem incorporadas aos já tradicionais setores da economia soluções mais modernas. Esse movimento vai além do investimento financeiro, ele está na criação de uma cultura de inovação, um mindset inovador dentro das corporações. São milhares e milhares de empreendedores, com ótimas ideias e muito pouco acesso ao mercado, portanto, ao fomentarmos a inovação estamos contribuindo diretamente para a economia e o fortalecimento do mercado – em absolutamente todos os setores. Somente no estado de Santa Catarina, o mercado de tecnologia movimenta cerca de 6% do PIB, com mais 80 mil pessoas envolvidas diretamente (entre empreendedores e funcionários), um volume de dinheiro e vidas que não pode e não deve ser ignorado. Ideias inovadoras seguirão impulsionando o mercado e todos os que optarem por não se associarem a este movimento, certamente, em algum momento, serão expelidos do sistema, pois não existe futuro com uma economia sustentável e fortalecida, se não considerarmos o investimento nestes setores.

Quais setores mais inovam e garantem esses investimentos?

Ana Paula: Acompanhando as tendências de mercado, vemos hoje os setores de serviços financeiros, tecnologia e varejo investindo pesado em inovação. Não apenas por conveniência, mas principalmente porque necessitam buscar novas soluções e vias para manter suas relações com os consumidores e também seu espaço no mercado. Não obstante, são também os setores que mais criam oportunidades de empregos, compram startups e impulsionam novos segmentos de mercado. Muitas mudanças obviamente foram aceleradas pela pandemia, mas se olharmos para os setores que investem em tecnologia, em sua grande maioria são empresas que já estavam inseridas neste contexto. Hoje não é viável um crescimento de longo prazo, estável e consolidado sem que sejam considerados investimentos em inovação. 

Quais as tendências para o ecossistema de inovação e novos negócios nos próximos anos?

Ana Paula: A chegada do Open Banking vai fazer com que as fintechs ganhem mais espaço no mundo dos produtos e serviços financeiros, trazendo formas distintas de aquisição destes, além da melhor experiência em serviços financeiros para conquista dos clientes. O tema sustentabilidade também vem ganhando grande destaque no ecossistema de inovação, com a métrica ESG que engloba critérios ambientais, sociais e de governança, visa trazer mais transparência e responsabilidade às empresas. Atentas à essa necessidade de ação no processo de transformação ESG, as empresas perceberam que é mais estratégico fazer parcerias com startups que solucionem cada problema a ser abordado, do que desenvolver soluções internamente para cada aspecto do negócio. Startups de automação de processos, em todos os setores das empresas, que tragam aumento de produtividade, eficiência e lucros, com redução de custos, terá um grande papel nos próximos anos. A inteligência dos negócios está sendo foco nas empresas que querem se manter saudáveis e ativas no mercado. O aumento de processos digitais, a segurança de dados também ganhou relevância. Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados, que entrou em vigor em setembro de 2020, também faz com que as empresas invistam em cibersegurança. Vale destacar que 21% das organizações aumentaram seus investimentos em segurança digital após o início da crise, e a previsão é de que esse número seja ainda maior este ano, de acordo com a pesquisa Agenda 2021.

Quais setores irão se destacar no pós-pandemia?

Ana Paula: Segundo levantamento da Bloomberg, as ações do setor de saúde foram as que mais subiram em 2021. Do início do ano até a primeira semana de fevereiro, a valorização média desses papéis foi de 10,7%. E a área da saúde deve continuar como um atrativo, tendo em vista, no mercado interno, ser um segmento que ainda precisa de desenvolver com profissionais, tecnologia e demanda por leitos; além da continuidade dos estudos da pandemia. Também temos no segmento de saúde as plataformas para atendimento virtual dos pacientes, a chamada telemedicina. O segmento de varejo está sendo retomado com a reabertura do comércio e o encerramento dos lockdowns realizados nos municípios do Brasil e do mundo. A pandemia acelerou a entrada dos varejistas no mundo digital, criando sites, e-commerces e aderindo a marketplaces. Mesmo com o fim do isolamento, as pessoas devem continuar a optar por comprar online, impulsionando ainda mais os e-commerces e deliverys. Fazendo com que os varejistas entrem de vez neste mundo virtual de negócios. Life Style é um segmento que vem crescendo muito nos últimos anos, e envolve deste alimentação saudável, vegetarianismo e veganismo, plataformas de atividades físicas, meditação, compartilhamento, enfim, um novo estilo de vida e hábito de consumo que irá fazer, e já está fazendo com que as grandes marcas repensem e remodelam seus produtos e serviços. Por exemplo, as redes de fast food já passaram a incluir em seus cardápios opções de alimentação vegana e vegetariana. Na área de produtos e serviços financeiros, com a chegada do Open Banking, deve trazer mais opções de produtos e serviços financeiros, com menos custos, além de mais transparência aos clientes finais, que terão mais autonomia sobre sua vida financeira. No período de isolamento necessário para conter a pandemia, as pessoas passaram a buscar formas de não se sentirem sozinhas, e o Mercado Pet deve crescer mais de 13% em 2021. O Brasil é o sexto maior mercado pet do mundo, com um faturamento do setor de mais de R$46 bilhões anual. Nos últimos 5 anos o segmento cresceu mais de 87%, e deve seguir em crescimento acelerado. A mobilidade urbana tem sido tema de diversos setores da economia, já que todos, pessoas físicas e jurídicas, são afetados diretamente por este tema.  Muito tem se falado e discutido sobre redução da poluição, formas mais eficazes de logística e transportes, boas práticas de mobilidade, além do boom do retorno do turismo pós período pandêmico. Os drones, por exemplo, já vem sendo usado para diversos fins, como na agricultura, segurança pública, detecção de incêndios, delivery, entre outros. E alternativas como esta já estão sendo amplamente discutidas.

Como a Leonora Ventures atua para o impulsionamento de startups no Brasil?

Ana Paula: A LV se torna sócia investidora da startup, oferecendo serviços de mão na massa para a startup. Trabalhamos desde a operação até o estratégico com os fundadores, sanando dores de custos com contratação de profissionais que podem, neste early stage, prejudicar o andamento da empresa. Além das operações iniciais com as startups, como marketing, jurídico, contabilidade, entre outros, também disponibilizamos às startups todo mailing de clientes de nossa Corporate, a Leonora Comércio Internacional, além da rede FCJ com suas demais corporates licenciadas e uma extensa lista de empresas parceiras prontas para aderir as soluções que desenvolvemos com os empreendedores. Temos uma grande rede de investidores anjos, além de um fundo de investimentos para startups. Por sermos uma empresa multinacional, auxiliamos as startups na internacionalização, se estiver em seus planos. A VB tem uma equipe local especializada para auxiliar a startup com sua operação, além de termos um centro de serviços compartilhados junto à FCJ.

Quais os benefícios em trabalhar no modelo venture building?

Ana Paula: No modelo de Venture Building, a venture se torna sócia da startup com o mão na massa em pontos essenciais para o early stage, como marketing, jurídico, contabilidade, governança e comercial. Neste último ponto, a CVB entrega para a startup toda sua carteira de clientes para prospecção, e auxilia a startup a realizar esta. O melhor cheque para a startup é a nota fiscal, a recorrência de clientes, que faz com que sua operação seja bem estruturada e consolidada, e seu valuation cresça. Além deste networking, a VB ainda trás para a startup fácil acesso de investimentos, quando necessário. O investidor da Venture se torna sócio da mesma, e por consequente, de todas as startups do portfólio, que pode chegar a 40 em 5 anos. O investidor tem o seu risco mitigado, já que seu aporte é para compra de ações da venture, e todas as startups são acompanhadas dia a dia pela VB. Quando a startup inicia sua tração, e possui necessidade real de aporte, o investidor sócio da VB tem prioridade no investimento, e terá a certeza de que seu investimento será alocado corretamente para o crescimento da startup.

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