Economia SC Drops: Como o ESG viralizou e os benefícios da nova filosofia no meio corporativo

Ações e posicionamentos sustentáveis estão no foco de empresas que buscam maior competitividade e fortalecimento no mercado. Especialmente agora, visando o mundo pós-pandemia, o cenário corporativo se remolda para atender às novas expectativas do consumidor. Essa é uma das razões pelas quais o ESG (Environmental, Social and Governance) está em voga no mundo empresarial. Para entender mais sobre essa nova filosofia e os rumos corporativos dentro desse pilar, o Economia SC Drops conversou com Delton Batista, presidente do LIDE-SC e colunista do portal. Confira abaixo:

O que é e quais os pilares do ESG?

Delton: O ESG (do inglês, Environmental, Social and Governance) é o conjunto de métricas ligadas aos ativos intangíveis das organizações relacionadas com as práticas empresariais nas áreas de sustentabilidade e meio ambiente, responsabilidade social, transparência e governança. 

Por que se tornou a nova filosofia corporativa?

Delton: O valor das empresas – na perspectiva da sociedade, do mercado, de clientes, parceiros, fornecedores e investidores – passou a incorporar, além dos resultados financeiros e performance operacional, a forma de se fazer negócios e o impacto causado por eles. A expectativa sobre o que marcas, empresas e líderes corporativos têm a oferecer superam os atributos em si dos produtos e serviços. A iniciativa privada precisa, agora, cumprir um novo papel de contribuição junto à sociedade. 

O que uma empresa precisa para ser considerada ESG? Quais os benefícios desse posicionamento?

Delton: Uma empresa ESG é aquela que incorpora em seus processos e posicionamento uma conduta consciente em relação ao meio em que está inserida. Pesquisas confirmam que estas empresas têm mais rentabilidade, melhor valuation, além de construírem uma certa blindagem de imagem e reputação diante de eventuais crises. Organizações conscientes terão maior competitividade para atração e retenção de talentos, que afinal desejam atuar em climas organizacionais não tóxicos, que vivenciam práticas de respeito, equidade de oportunidades, diversidade e ética. Ou seja, em empresas saudáveis no sentido mais amplo. Investidores também tem direcionado seu foco cada vez mais às empresas capazes de estar em sintonia com a sociedade moderna, comandadas por um perfil de liderança com senso de seu papel ampliado e proativo, que atendam elevados requisitos de transparência e compliance, que possam proporcionar retornos acima da média, de forma consistente e a longo prazo. As empresas mais valorizadas junto ao mercado e sociedade terão políticas que atendam o racional de uma economia circular, com menos desperdício e incentivo ao consumismo, alinhadas com ações concretas de compensação de eventuais danos inerentes a seus processos produtivos. 

A mudança no hábito do consumidor influenciou o crescimento do ESG no meio empresarial? 

Delton: A série (cada vez mais frequente) de crises socioeconômicas que o mundo tem enfrentado nas últimas décadas, as ainda desconhecidas mudanças no meio ambiente acompanhadas dos sinais de esgotamento de recursos naturais, e o advento da pandemia ainda em curso,geraram um ponto de inflexão para toda a sociedade. E o mundo corporativo não poderia ficar à margem desta grande transformação. Diante de um cenário tão caótico e imprevisível, as pessoas começaram a repensar sua relação com a família, amigos, trabalho e consumo, revisitando seus papéis enquanto indivíduos e na coletividade. Uma verdadeira ressignificação de valores e prioridades. 

Quais as tendências corporativas nesse cenário mais sustentável?

Delton: Cresce a adesão das lideranças corporativas à ideia de um novo capitalismo, mais consciente e comprometido não apenas com os objetivos dos shareholders (acionistas), mas, principalmente, com o impacto de cada decisão nos stakeholders (partes interessadas), como consumidores, colaboradores, parceiros de negócios, cadeia de fornecedores e comunidade. A visão de que o valor empresarial é um conceito que vai além dos resultados financeiros, levando em conta outros indicadores. Uma lógica de “empresa cidadã”, afinal o primeiro documento de formação de qualquer organização jurídica é exatamente seu “contrato social”. A crença também de que empresas que praticam estes fundamentos geram, inclusive, mais resultados a seus investidores do que aquelas que pensam e atuam ainda em um modelo de visão imediatista e inconsequente da velha economia. Um novo mundo está em construção. 

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