Economia SC Drops: como a tecnologia e inovação influenciam a gestão financeira de pessoas e empresas

Simplificar processos é um dos pilares de fintechs. Por meio da inovação e tecnologia, a modernização do setor financeiro trouxe diversos benefícios ao cidadão. Neste Economia SC Drops, conversamos com Nilton Spengler Neto, diretor de operações da PagueVeloz e colunista do portal, sobre as vantagens e tendências da gestão financeira. Confira abaixo:

Como a inovação e a tecnologia contribuem para a gestão financeira?

Neto: Um dos fatores mais importantes neste contexto é a desburocratização dos serviços financeiros. Nos últimos anos, avançamos, e muito, para que a rotina de gestão das finanças seja simplificada e muito mais acessível. Isso se deu, especialmente, pela chegada das fintechs, empresas que ligam inovação a serviços simplificados. A própria PagueVeloz é uma delas e leva, através de uma conta digital completa e oferta de maquininha de cartão com taxas acessíveis, a possibilidade de uma gestão financeira simplificada para pequenos negócios. Poder consultar saldos, realizar transferências e pagamentos, agendar pagamentos e até mesmo emitir boletos via aplicativos tornou a rotina das pessoas muito mais fácil e transparente. Você sabe como usar o dinheiro, pode utilizar serviços simplificados, não precisa passar horas na fila do banco e tem, acima de tudo, autonomia para decidir como e quando quer realizar suas movimentações. Isso tem um peso muito maior do que se imagina e influencia, inclusive, na forma como lidamos com o dinheiro. Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 97% dos brasileiros disseram ter dificuldade em lidar com o próprio dinheiro e 49% evita até mesmo pensar em dinheiro para não ficar triste. Ou seja: pensar em como lidar com as finanças causa desconforto ao brasileiro. Somos de uma geração que não aprendeu a gerir seus recursos na escola, não fomos ensinados sobre educação financeira e grande parte das famílias vê o tema como tabu. A consequência, somada aos desafios da própria economia, é um alto percentual de brasileiros endividados, cerca de 62 milhões, segundo a Serasa. As novas tecnologias contribuem no sentido de tornar o processo de gestão mais simples e prático, sem idas presenciais ao banco, sem trâmites complexos, com transparência das informações. E é por isso que as contas digitais tomaram uma grande proporção no mercado financeiro.  

A desburocratização hoje é um dos pilares do sistema financeiro. Startups propõem soluções justamente com essa premissa e a adesão a negócios desse segmento estão cada vez maiores. O que difere uma startup de um banco tradicional?

Neto: O fato de ser extremamente transparente na oferta de serviços, de oferecer diversos serviços gratuitos que, tradicionalmente, são cobrados pelos bancos, a adesão ao mobile e a rapidez nas operações. Na PagueVeloz, por exemplo, desde que a conta digital passou a ofertar o serviço de transferência, ela ocorre praticamente em tempo real. Você não precisa esperar o próximo dia útil para ocorrer. Em fintechs que oferecem empréstimos, a taxa de juro é reduzida. Naquelas com oferta de cartão de crédito, a anuidade foi abolida. Ou seja: são serviços baratos e muito mais simples. A fintech se rentabiliza em um modelo diferenciado de negócio, ganhando muito mais no volume que movimenta do que no serviço individual utilizado pelo cliente. Para o consumidor, a grande diferença entre conta digital e banco é essa simplicidade: sei quanto pago, pelo que eu pago (sempre valores considerados mais justos, por serem bem menores na comparação com os bancos) e sei que tudo ocorre rapidamente, via aplicativo, de forma simples e segura.

Como o PIX mudou a rotina de pagamentos do brasileiro?

Neto: Acredito que o PIX é uma das inovações recentes mais marcantes do sistema financeiro. Tive o privilégio de, junto com a equipe da PagueVeloz, participar do grupo de discussão do Banco Central que deu origem à solução e, desde então, fiquei encantado pela proposta. Estivemos na primeira leva de empresas que liberaram o PIX para os usuários e é impressionante como, em pouco tempo, ele se tornou o modelo preferido para transferências e pagamentos. Segundo a Febraban, hoje 30% das transferências dos brasileiros já são feitas via PIX. O sistema de pagamento instantâneo garante que você faça um pagamento ou uma transferência em tempo real. E além disso, é um meio super prático: ao contrário de uma TED, que pede uma série de dados, no PIX basta inserir a chave do recebedor (que pode ser e-mail, número de celular, CPF, RG), o valor a ser transferido e pronto. E tudo isso sem custo, ou a um custo muito abaixo do comparado a outras formas de transferência. É importante salientar que desde que foi lançado muito se fala sobre golpes aplicados relacionados ao PIX. Eu sempre reforço, quando falo deste tema, que o PIX é extremamente seguro e pode ser usado sempre que necessário. Os golpes que surgem são muito mais relacionados à engenharia social, ou seja: criminosos se aproveitam do desconhecimento ou da ingenuidade da população para pedir transferência de valores via número de Whatsapp clonado, se passando por algum familiar ou algum funcionário do banco. Agora em relação ao sistema operacional, podemos ter total tranquilidade. O PIX é, sim, muito seguro e só pode ser feito por você. Utilizado para o fim que foi criado e tendo o consumidor a consciência sobre para quem está pagando, não há problema algum. Pelo contrário: para o comerciante, por exemplo, é uma solução para agilizar o fluxo de caixa. Para o consumidor final, mais uma ferramenta simples, segura e transparente para gerir seus recursos.

Quais são as próximas tendências da gestão financeira? Como a educação auxilia esse processo?

Neto: O open banking é uma das discussões recentes, embora ele já esteja em pauta há mais tempo. Trata-se de um sistema bancário aberto, onde todas as instituições financeiras podem compartilhar os dados dos usuários, dando assim agilidade a transferências, pagamentos, liberação de créditos e até mesmo portabilidade das contas. Neste sistema não é o banco que é dono dos dados, mas sim o consumidor, que pode decidir com quem e quando compartilha determinadas informações. A ideia, basicamente, é dar mais transparência à gestão bancária e mais autonomia ao consumidor. Sobre a educação, ela é fator essencial para uma gestão financeira eficiente. Quanto mais o brasileiro conhecer sobre gestão de recursos, mais poderá ter autonomia sobre o próprio dinheiro, pode investir melhor, pode garantir mais qualidade de vida para si e sua família. E acredito que a educação precisa começar na escola, em casa, já na infância. Precisamos tornar o tema, cada vez menos tabu, para que possamos evoluir não só em tecnologia e inovações, mas no próprio conhecimento e autonomia sobre finanças. Há ainda a questão das criptomoedas, as moedas virtuais que se popularizaram nos últimos anos e criaram um novo meio de investimento no mercado financeiro digital. Mas acredito que, essencialmente, a grande tendência é de que o dinheiro físico vá desaparecer. Talvez não totalmente e não amanhã. Mas a forma como lidamos com ele já mostra isso. Se eu te perguntar agora onde está o seu dinheiro, com certeza boa parte dele está no banco. Grande parte das pessoas sai de casa sem um centavo no bolso, porque possui um cartão de crédito ou débito e, mais recentemente, basta o smartphone com o aplicativo do banco. Até os cartões já são virtuais. Acredito que essa realidade será cada vez mais frequente.

Na sua opinião a pandemia afetou positiva ou negativamente a gestão financeira pessoal e profissional das pessoas? 

Neto: Acredito que existam dois cenários: muitas pessoas foram afetadas financeiramente pela falta de empregos e de recursos, pela redução de salários e as consequências da crise, que também é econômica. E não podemos negligenciar o impacto disso no setor financeiro como um todo. A própria pesquisa que destaquei acima, sobre o brasileiro evitar pensar nos próprios recursos, pode ser uma consequência disso. Em contrapartida, vemos uma nova geração muito mais curiosa com as possibilidades do mercado financeiro e um crescimento exponencial de conteúdos relacionados ao setor. vemos livros de finanças entre os mais vendidos, muitas pessoas estudando e entrando no universo da Bolsa de Valores e das criptomoedas. E essa curiosidade é muito positiva, desde que sempre haja bom senso e cuidado na gestão dos próprios recursos. De um modo geral, acredito que a pandemia acelerou a curiosidade e a independência do brasileiro em relação à gestão financeira. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas percebo que a ascensão das fintechs e dos serviços financeiros descomplicados já traz um impacto positivo sobre a forma como o brasileiro lida com o dinheiro.

Qual o papel de um gestor de empresa em relação à saúde financeira do colaborador? 

Neto: Acredito que precisamos enxergar além do colaborador por si só. Por trás daquele profissional que está conosco sempre tem uma família, que muitas vezes depende dos recursos que ele tem graças à sua ocupação profissional, enquanto gestores podemos,  e devemos, incentivar a troca de informações, o uso de novas soluções de gestão e o apoio na busca por mais autonomia da gestão financeira. Não podemos nem temos o direito de querer impor boas práticas, mas dar o exemplo e fomentar a troca de informações, e até mesmo a oferta de serviços que auxiliem na educação financeira é essencial.

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