Especialistas em tecnologia dão dicas para quem quer empreender no setor

O empreendedorismo está cada vez mais presente no dia a dia dos brasileiros. No último relatório executivo divulgado, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) apontou que, em 2019, o Brasil atingiu 23,3% de taxa de empreendedorismo inicial, considerada a maior marca até agora.

Os dados do último ano ainda não foram divulgados, mas algumas prévias apontam que o Brasil deve atingir o maior patamar de novos empreendedores: aproximadamente 25% da população adulta estará envolvida na abertura de um novo negócio ou em empresas com até 3 anos e meio de atividade. 

Conversamos com empresários do setor de tecnologia, confira dicas para empreender: 

VISÃO DE MERCADO

Jonatan da Costa empreende desde 2004 e hoje é CEO da Área Central, que desenvolve uma plataforma para gestão de redes associativas e de centrais de negócios.

O empreendedor é formado na área de tecnologia e sua jornada começou com a fundação e incubação da empresa Área Local, na UNIDAVI, em Rio do Sul, no ano de 2004.

O objetivo da primeira empresa era oferecer serviços digitais. Em dado momento, um cliente, uma rede associativa de supermercados, desafiou os empreendedores a criarem uma intranet para gestão de compras do grupo.

A demanda gerou um produto, batizado de Área Central, e a rede associativa, o primeiro cliente do segmento atendido pela empresa.

No ano de 2012 a plataforma de gestão de redes recebeu um investimento anjo e se tornou uma empresa à parte.

Ele conta que para empreender ver além do óbvio é fundamental, saber qual é a necessidade do mercado antes mesmo dessa dificuldade ser mapeada faz parte da jornada empreendedora:

“A plataforma da Área Central é única no segmento de gestão de redes associativas e centrais de negócios, pensar à frente é o que sempre nos moveu. Prever as demandas dos clientes, mesmo depois de ter um negócio estruturado, é fundamental para continuar inovando no mercado da tecnologia, que está em constante mudança”.

LIDERANÇA COMO SINÔNIMO DE HUMILDADE

“A humildade deve estar atrelada a reconhecer erros e acertos que ocorrem na criação de um produto, ou seja, os empreendedores precisam estar abertos a realizar a testagem dos serviços que irão oferecer e, caso não funcione, devem estar dispostos a seguir adiante, sempre experimentando. É dessa forma que enxergamos a importância da humildade na prática do dia a dia das startups”, afirma Robledo Ribeiro, CEO e Fundador da HostGator no Brasil.

Formado em Ciências da Computação, o empresário que na época tinha apenas 23 anos decidiu tentar a vida nos Estados Unidos, em 2003.

Chegando lá, foi através de um anúncio que encontrou a oportunidade de trabalhar na HostGator. Com visão mercadológica voltada à longo prazo, sempre compreendeu os problemas que os clientes relataram por bate-papo eletrônico ou telefone.

“Passei dois anos atendendo clientes diretamente, foi um período que coletei muita informação, conversava com 300 pessoas por dia e, foi assim que eu entendi de verdade as necessidades de cada cliente”, declara.

Na HostGator era considerado o funcionário mais experiente, não demorou muito para ter a confiança da equipe de gestão.

Em 2007, fundou a empresa no Brasil com o objetivo de entregar o melhor serviço possível e com um preço acessível.

Em 2012, a multinacional de hospedagem de sites e serviços para presença online, avança ainda mais e é vendida para o grupo Endurance, e Robledo passou a atuar nas operações corporativas da América Latina.

O grupo ficou na gestão até meados de abril de 2021, quando foi comprado pela Clearlake Capital, grupo líder em investimentos focados em private equity.

RESILIÊNCIA, TECNOLOGIA DISRUPTIVA E VISÃO DE MERCADO

Demetrius Lima começou a empreender em 1996. Participou da criação de três empresas, sendo duas de learning, antes de fundar a Sábios em 2009, uma edtech que une educação, tecnologias imersivas e inteligência artificial para aumentar a performance de pessoas e organizações.

Com mais de 20 anos de experiência em educação, viu uma necessidade de mercado dentro dos modelos tradicionais de ensino corporativo e desenvolveu uma metodologia e plataforma próprias de aprendizagem imersiva, que atualmente é usada por grandes empresas, como Raízen e Petrobras.

Formado em engenharia elétrica e mestre em inteligência artificial aplicada à educação, o empresário diz que quem quer empreender precisa, primeiramente, ter muita resiliência e persistência, além de visão estratégica do negócio:

“No início do projeto, principalmente falando em startup, é preciso transformar a ideia em MVP (produto viável mínimo), que possa ser testada e validada por clientes reais e, a partir daí, construir um roadmap de tecnologia com diferenciais disruptivos”.

Outro ponto importante é a visão de negócio, que precisa ser escalável e com receita recorrente, mas que gere valor ao cliente final.

“Se todos esses vieses estiverem contemplados, a possibilidade de conseguir capital de risco para cumprir as fases de crescimento é altíssima”, complementa.

COMO TIRAR A IDEIA DO PAPEL

Paula Lunardelli é diretora da vertical de Construção Civil da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), além de ser co-fundadora e CEO da Prevision, construtech desenvolvedora de plataforma para planejamento e gestão eficiente de obras.

Formada em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e MBA pela FGV, o empreendedorismo surgiu na vida dela em 2017.

Neste ano, em conjunto com o engenheiro, Yan Bedin, e o cientista da computação, Thiago Senhorinha Rose, criou um Produto Viável Mínimo (MVP) para um software de planejamento e gestão de obras baseado em conceitos de construção enxuta. 

Apesar de terem desenvolvido uma solução inovadora, ainda não era suficiente para tirar a ideia do papel e empreender.

“Começamos meio às cegas, com um propósito muito claro, mas sem entender direito como funciona a criação de uma startup. Não demorou muito para percebermos que, naquele ritmo, não iríamos a lugar nenhum”, afirma a empresária.

OTIMIZAÇÃO TECNOLÓGICA E VANTAGENS COMPETITIVAS

Empreendedores de sucesso têm em comum duas prerrogativas indispensáveis para o mercado: inteligência e inovação.

Em um cenário onde a tecnologia influencia mudanças, uma empresa deve focar em como utilizá-la para garantir aos clientes um diferencial de mercado.

É o que pensa Helmuth Hofstatter, CEO da LogComex, startup de dados e inteligência para o comércio exterior.

De acordo com ele, soluções que utilizam recursos como Machine Learning e IA (Inteligência Artificial) para otimizar processos e reduzir riscos são diferenciais:

“Lidamos todos os dias com grandes volumes de informação e devemos refinar os recursos tecnológicos disponíveis para atender às demandas e realmente inovar”.

Foi assim que a startup dobrou de tamanho mesmo durante a pandemia, faturando cerca de R$ 20 milhões no ano passado com sua ferramenta de logística internacional.

“Focamos na redução de falhas humanas e na visualização panorâmica de dados para apoiar a tomada de decisões estratégicas de forma mais assertiva. Com isso, nossos clientes garantem ganhos de produtividade e eficiência, além da redução drástica do custo logístico”, ressalta. 

PARCERIAS COM INSTITUIÇÕES DE ENSINO

A inovação é a premissa do setor de tecnologia e as parcerias com instituições de ensino para pesquisa e desenvolvimento de soluções são uma excelente forma de colocá-la em prática.

Carlos Roberto De Rolt, fundador da  BRy Tecnologia, empresa que desenvolve soluções de identificação, formalização e registro digital e tem mais de 20 mil clientes em todo o Brasil, explica que essa busca constante por tecnologia de ponta que resolva os problemas dos clientes deve ser parte essencial de qualquer negócio desde o início:

“Desde o começo, em 2001, a BRy investiu em parcerias com universidades para a criação de alta tecnologia brasileira e isso nos permitiu ser a empresa com a maior gama de soluções em segurança digital do país”.

Um exemplo recente dos benefícios dessa parceria entre empresa e universidade é o desenvolvimento da tecnologia de diploma digital.

Em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a empresa criou um sistema que reduz de 120 para 15 dias o tempo para emissão do certificado de conclusão de curso.

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