Economia SC Drops: como a inovação aberta de SC pode expandir em escala nacional

Pioneiro nacional em hubs de inovação aberta, o ecossistema de Santa Catarina se fortalece e prepara novos passos rumo à expansão nacional. Para falar mais sobre esse tema e as tendências desse modelo de negócio, o Economia SC Drops de hoje conversa com Silvio Kotujansky, diretor de inovação e novos negócios da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE). Confira abaixo:

O que é inovação aberta e quais os seus benefícios?

Silvio: Inovação aberta é um modelo bastante recente de gestão da inovação, que surgiu neste milênio. O que ele prega é você se abrir para fora da empresa, buscando parcerias estratégicas. Assim, quem pratica inovação aberta se conecta com diversos atores do ecossistema para contribuir nos seus desafios de inovação.

Quais as principais diferenças da inovação aberta em relação a um modelo mais conservador?

Silvio: Na inovação tradicional, que também é chamada de fechada, as inovações acontecem internamente. Então, investe-se em talentos, em equipe, em plataformas e ferramentas para desenvolver a tecnologia internamente na empresa. Além de ser mais custoso, esse processo se limita ao conhecimento daquele grupo. Por mais que seja um grupo competente, conectado com centros de pesquisas e outros atores externos, ainda assim é  muito restrito o potencial de inovação que pode se atingir. Por outro lado, na inovação aberta, não há limites, porque permite se conectar com centros de pesquisas, com startups, de várias regiões, não só do Brasil, mas do mundo. Além de conseguir se conectar com mentores, investidores e uma série de atores que são relevantes para o desenvolvimento do projeto. Assim, é possível baratear e ampliar o resultado deste processo. Ou seja, a inovação aberta tem um potencial enorme. Não é à toa que é uma tendência mundial e, embora seja uma mudança gradativa, está acontecendo a passos largos.

Como a inovação aberta ajuda o desenvolvimento de novos negócios?

Silvio: Existem basicamente as inovações menos ou mais disruptivas e geralmente são colocadas em três horizontes: H1, H2 e H3. O H1 foca no aperfeiçoamento do que já se faz. Assim, com conhecimento e experiência já adquiridos, por meio da inovação, conseguimos melhorar os processos, o desempenho e a produtividade. No segundo horizonte (H2), também com o mesmo conhecimento que já se tem, muda-se, por exemplo, o modelo do negócio. E, por fim, o H3, que é o mais alto grau de disrupção, onde realmente se quebra paradigmas. Neste último, aparecem exemplos como Netflix, Uber, Airbnb, que são companhias que romperam a prática dos seus mercados, criando novos paradigmas. 

Quais critérios fazem de Santa Catarina um ecossistema propício para isso?

Silvio: Quanto mais fortes são os ecossistemas que você se conecta e maior o número e qualidade dessas conexões, melhor é o desempenho nos resultados da inovação aberta. E Santa Catarina tem um dos ecossistemas de inovação mais bem estruturados da América Latina. O estado tem densidades altíssimas, entre as maiores do país, de empresas de tecnologia e startups, e possibilita conectar de uma forma muito eficiente com soluções do mercado e talentos. O cenário ideal para a inovação aberta é ter um ecossistema bem estruturado e potente, que é o caso de Santa Catarina.

Atualmente, quais são os locais de inovação aberta no estado? Há previsão de novidades nesse sentido?

Silvio: As iniciativas de inovação aberta ainda estão iniciando no Brasil e em Santa Catarina, é um movimento que começou na última década. A ACATE, por meio do seu programa de inovação aberta, o LinkLab, foi pioneira no estado e no Brasil. E a entidade segue na dianteira dessas iniciativas. São mais de 30 grandes empresas nacionais e multinacionais que estão hoje utilizando o LinkLab. Nomes como WEG, AMBEV, Whirlpool, Schulz, Governo do Estado de Santa Catarina entre outras. O LinkLab atualmente tem três hubs físicos: Florianópolis, São José e Joinville. Além de hubs virtuais com empresas que estão geograficamente distantes desses espaços. Nesta categoria, tem um LinkLab virtual em Chapecó, por exemplo, e negociações em outros locais. A tendência é o LinkLab se expandir em uma rede nacional, em vários pontos do Brasil, iniciando com os hubs virtuais para, então, chegar a sedes físicas.  

Qual a estimativa de arrecadação da inovação aberta ao ecossistema?

Silvio: É complexo fazer uma previsão de arrecadação, porque, na inovação aberta, dois lados são beneficiados economicamente. Em uma ponta, estão as empresas que buscam inovação. Quando a companhia acerta uma inovação, ela tem um ganho econômico muito significativo, começa a conquistar fatias de mercado e a despontar na sua área de atuação.  Mas também tem as empresas, principalmente startups, que se conectam com essas companhias que estão inovando. E esses negócios menores também conseguem crescer e ganhar mercado. Só no LinkLab há vários casos de empresas que estavam no início da sua jornada e, através de projetos que foram criados no programa, em parceria com uma grande empresa, ganharam uma aceleração exponencial.

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