Precisamos falar de saúde financeira e autorresponsabilidade

Dia desses me deparei com uma pesquisa aqui no Economia SC que me deixou um tanto preocupado: era o levantamento da Leve mostrando que 88,6% dos colaboradores de empresas de tecnologia não possuem uma vida financeira saudável.

O estudo, que ainda aponta um alto número de participantes com dívidas, destacou que boa parte das pessoas gastam mais do que ganham e que no home office, o cansaço físico e mental se acentua por conta de preocupações com a situação financeira.

Sendo gestor de uma empresa com mais de 200 pessoas no time, e que deve fechar 2021 com mais de 300 profissionais, me preocupa perceber que mesmo na área de tecnologia, onde grande parte dos profissionais possuem ensino superior, a gestão dos próprios recursos ainda é um problema. Ainda mais sendo a PagueVeloz uma fintech, que sempre se preocupou com a desburocratização financeira dos pequenos negócios. Nossa conta digital foi moldada para que empreendedores e pessoas físicas pudessem justamente controlar melhor suas finanças e acompanhar de perto seus rendimentos.

Mas o fato é que tecnologia não é sinônimo de eficiência. Por si só, uma conta digital não vai resolver a vida nem mesmo de quem está por trás do desenvolvimento dela. Algumas questões, quando falamos de gestão financeira, estão ligadas ao estilo de vida, educação recebida em casa e até mesmo a própria organização.

O problema apontado pela Leve não é exclusividade dos profissionais de tecnologia, embora eu acreditasse que nessa área o índice fosse menor. É, talvez, um problema cultural. Mas essa não pode ser uma desculpa para que a gente se acomode dentro dessa situação.

As mudanças deveriam começar ainda na escola, afinal, por que gestão financeira não é uma matéria dentro da grade curricular, como português, matemática ou geografia? Embora algumas escolhas já tragam em seu escopo essa pauta, é ainda muito tímida a abordagem do assunto com as crianças. Tratar o tema com a devida importância desde os anos iniciais, a meu ver, é um passo essencial para mudarmos este cenário em longo prazo.

É preciso repensar a forma como consumimos

Sempre que o tema educação financeira vem à tona, paro para pensar em como a nossa rotina pode impactar a forma como tratamos o dinheiro. Controlar os gastos nunca foi tão fácil, mas gastar ele também não. Você não precisa sair de casa com dinheiro para comprar itens desnecessários: basta pagar com o cartão, fazer um PIX ou ainda parcelar no crédito.

Mas não se engane: a facilidade não é desculpa para não contar com uma reserva de emergência. Antes da reserva, elimine suas dívidas. Independente da taxa, independente do prazo ou a natureza: divida é dívida e deve ser a prioridade do seu orçamento. Após, aplicar uma parte do salário, verificar um extrato detalhado dos gastos e até mesmo ajustar o limite do cartão são atitudes que também podem ser feitas com alguns cliques. Ou seja: se a tecnologia facilitou os gastos, aumentou consideravelmente o controle de custos. O que muda é a atitude e o comprometimento que nós temos.

O bom e velho “eu mereço, trabalhei para isso”

É claro que, ao fim de um mês todo de trabalho temos aquela sensação de merecimento. E essa é a desculpa mais básica que utilizamos quando bate o descontrole sobre o cartão ou aquela promoção imperdível aparece. Mas e se a gente mudar o pensamento?

Merecemos também ter tranquilidade para lidar com contratempos, contando com uma reserva financeira, merecemos poder desfrutar de serviços de lazer porque todas as contas estão em dia, merecemos um bom atendimento médico sem depender de uma vaga do SUS, nossa família merece estar amparada em situações ruins e inerentes à vida.

Ter reservas financeiras, organizar os boletos e controlar gastos não é coisa de gente chata, da época dos nossos pais. É uma questão de responsabilidade e de autocuidado.

Acredito que o assunto ainda rende muita discussão e reflexão, mas o que mais me chamou a atenção ao ler a reportagem que trazia as informações sobre vida financeira é o fato de que cansamos de falar sobre a presença dos jovens em TI.

Se você está no início da trajetória profissional, mora com seus pais ou ainda não tem filhos, talvez esteja no momento mais oportuno para criar bons hábitos financeiros, e tem diversas tecnologias a seu dispor.

Pode controlar saldos, gerenciar recebimentos e pagamentos e conferir absolutamente todos os gastos quando controla o dinheiro via aplicativo ou conta digital.

E, claro, existe uma série de conteúdos disponíveis gratuitamente na Internet para saber mais sobre o assunto. Vamos juntos mudar essa pesquisa?

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