Economia SC Drops: O futuro da educação a distância após a pandemia

Nesta entrevista com Adriano Albano, diretor e proprietário de nove unidades da Unicesumar, o Economia SC Drops vai abordar o futuro da educação a distância após a pandemia, confira abaixo:

Como a EAD passou a ser vista após a pandemia?

Adriano Albano: Há dois caminhos importantes para analisar: Temos aqueles que tiveram acesso a “EAD de verdade”, aquela já existente, com atividades programadas para serem feitas naquela metodologia, onde as aulas e material didático se complementam, bem como atividades de fixação e avaliativas e muita tecnologia. A percepção, na maioria das vezes, é de um mundo maravilhoso que já existia e não conheciam. Mas há aqueles que tiveram acesso a aulas remotas, que é importante frisar: não é EAD. Aulas remotas são “tapa-buracos”, onde o que era programado para ser feito por uma metodologia presencial, teve que, de forma emergencial, ser transmitida, muitas vezes, por ferramentas não adequadas. Aí falta material didático especialmente preparado para tal, interações e atividades condizentes. Desta forma, apesar de todo o esforço, a experiência pode ser ruim. É importante separar quem faz educação a distância de modo sério e preparado, que tem os mesmos resultados dos melhores presenciais, pois assim como há diferenças na qualidade da própria presencial, há diferenças de qualidade (e metodologia) também na EAD.  

Qual será a tendência a partir de agora? A EAD continua com força ou o modelo presencial ainda é o preferido dos alunos?

Adriano: A EAD vinha crescendo de forma constante. Em 2017, o censo de Educação Superior do MEC já mostrava uma tendência para que, em 2023, o número de alunos EAD já ultrapassasse o número de alunos do presencial, segundo projeção da Educa Insights. De 2009 a 2019, a modalidade EAD teve um salto de 378,9% em matrículas de ingressantes, um aumento de 4,7 vezes. Nos cursos presenciais, o crescimento foi de 17,8%. Os dados são do Censo de Educação Superior, divulgado em outubro de 2020 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O censo mostrou ainda que, naquele ano, pela primeira vez na história, o número de ingressantes em cursos de EAD ultrapassou a quantidade de estudantes que iniciaram a graduação presencial na rede privada. Ao todo, 50,7% (1.559.725) dos alunos que ingressaram em instituições privadas optaram por cursos de EAD. Em contra­ponto, 49,3% (1.514.302) dos estudantes escolheram ingressar na educação superior de modo presencial. E em 2020 e início de 2021, vimos que a pandemia acelerou ainda mais esse processo, que esperamos ver confirmar nos próximos censos oficiais. Mas já é consenso de todo o mercado que nada será exatamente como antes. A tendência é uma valorização ainda maior também do ensino híbrido, onde se usa o melhor da tecnologia para o ensino do conteúdo, aliado ao melhor do ensino presencial, que são as práticas em laboratório.  

Qual o perfil de estudante que mais se adaptou nesse momento?

Adriano: A média de idade de um aluno EAD, há 10 anos, era de 35 anos, em função, principalmente, da flexibilidade de horários para estudo, atrelado a uma vida profissional. Mas segundo o último censo, 39,3% dos alunos matriculados em EAD têm idades menores, entre 26 e 30 anos, e a tendência, principalmente com a pandemia, é da entrada cada vez maior dos jovens, por ser um ambiente de tecnologia onde o jovem já nasce muito bem ambientado. Mulheres são a maioria (55,7%). Inclusive, segundo o censo, em 2019, havia mais matriculados nos cursos de formação de professor em EAD (53,3%) do que no ensino presencial (46,7%), área de predominância do público feminino também. Antigamente, via-se a EAD como uma alternativa acessível, em função do valor mais baixo. Mas hoje, em função de todo o avanço, é uma alternativa de qualidade, onde muitas instituições se destacam com notas no MEC superiores aos melhores presenciais. 

O que deve vir de novidade na EAD para os próximos anos no sentido de inovação e tecnologia?

Adriano: 2020 é, certamente, o ano da saúde. A pandemia evidenciou a importância dos profissionais de saúde para a sociedade e refletiu não apenas na procura pelos profissionais no mercado de trabalho como também na busca por graduações a distância na área. Segundo levantamento da Unicesumar, em três meses, em 2021, a instituição registrou mais de 6 mil novas matrículas em cursos como biomedicina, farmácia, gerontologia e nutrição no formato híbrido. Esta é uma grande novidade do setor. A inclusão de cursos antes não imaginados na metodologia, como cursos na área saúde vem também com muita responsabilidade. O curso não é (e não deve ser) 100% EAD, mas tem muita prática em laboratórios modernos. O ensino remoto, neste momento, é uma necessidade, mas a adoção da modalidade híbrida pelas universidades e a crescente procura dos alunos vai além do cenário de pandemia que vivenciamos. Estar em linha com a digitalização do ensino superior e, também, com a própria medicina que está cada vez mais tecnológica com a ascensão da telemedicina, por exemplo. O uso de tecnologias é uma tendência, seja qual for a modalidade de ensino. Na Unicesumar, por exemplo, o aluno desenvolve na prática, estudando duas disciplinas por vez e aplicando conceitos em momentos presenciais nos laboratórios. Além disso, o material didático é repleto de ferramentas como games, realidade aumentada, recursos 3D, inteligência artificial e robótica para uma experiência ativa. Toda adaptação requer atenção, no entanto, a jornada de ensino para o estudante é tão enriquecedora quanto o método presencial. A tecnologia vem para trazer novas maneiras de conhecimento ao graduando. 

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