A tendência do empreendedorismo no Brasil

No final do ano passado, a taxa de desocupação no Brasil foi de 13,9%, o que corresponde a quase 14 milhões de brasileiros, mantendo-se acima da taxa de 11% no final de 2019. No caso catarinense, o índice subiu de 5,3%, ao final de 2019, para 6,9%, no segundo trimestre de 2020, retornando ao mesmo patamar de 5,3% ao final de 2020.

Além de revelar as dificuldades pelas quais o Brasil passou neste último ano de pandemia e de desafios aos negócios, os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) indicam profundas mudanças no cenário do empreendedorismo nacional.

Em primeiro lugar, é preciso pontuar uma grande diferença no mercado nacional de trabalho dos formais e informais. Estes últimos claramente sofreram maior impacto, apresentando uma redução de 16% do contingente de trabalhadores, enquanto os formais caíram em 12%.

O mesmo ocorre para os empreendedores. O grupo dos informais se reduziu em quase 2 milhões de pessoas, enquanto o número de empreendedores formalizados cresceu em 1%.

Apesar de se atenuar no último ano, esta diferença já não é novidade. Nos últimos 5 anos, a taxa de empreendedores individuais formalizados cresceu 27%, enquanto os demais permaneceram estáveis.

Em segundo lugar, e o mais importante, é que tem aumentado o número de pessoas que buscam abrir seu próprio negócio como fonte principal de renda. Este movimento não tem sido decorrente apenas da pandemia, mas advém de uma tendência ao longo dos últimos cinco anos.

Em 2016, do total de 11 milhões de pessoas que tomaram alguma providência para encontrar uma ocupação, 135 mil tomaram medida para iniciar seu próprio negócio, o que representa 1% das pessoas. 

Já ao final de 2020, o percentual era mais próximo de 2%, com uma quantidade de cerca de 250 mil pessoas buscando o empreendedorismo.

Ainda que o percentual seja baixo em relação ao total, esta tendência de aumento das pessoas no empreendedorismo é um fato interessante, resultado das diversas providências de simplificação do ambiente de negócios e da formalização dos negócios. 

A tendência de um Brasil mais empreendedor é uma boa notícia em diversos aspectos, seja por abrir mais oportunidades de negócios e empregos, ou também por acirrar a concorrência e oxigenar as soluções de produtos e serviços já existentes no mercado brasileiro.

Ainda há uma enorme quantidade de pessoas atuando em modelos informais, seja como empregador ou como empregado, o que limita a possibilidade de crescimento e aumento da produtividade da economia. Apesar do desafio, a trajetória de crescimento da formalização indica que, neste aspecto, estamos no caminho certo de desenvolvimento da nossa economia.

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