Governo estuda adoção de marketplace para compras públicas de tecnologia

O modelo de compras e vendas em marketplace, plataformas de comércio eletrônico que reúnem vários vendedores e prestadores de serviço, ganharam espaço entre consumidores e comerciantes nos últimos anos, consolidando o modelo que se mostrou vantajoso para ambos os lados.

Para os clientes, a variedade de produtos, marcas e preços  é maior, já para os vendedores, especialmente para aqueles de novos negócios, existe a possibilidade de vender seu produto em marketplaces conhecidos, ampliando seu alcance. 

Seguindo a lógica do mercado, o governo brasileiro está estudando a proposta de criar um marketplace para compras públicas e mudar a lógica de contratação atual.

A ideia é iniciar o processo nas contratações realizadas via dispensa de licitação, como as compras de bens e serviços de diversas áreas, como a tecnologia. 

O governo explica que “servidores e gestores públicos terão acesso a um site que reunirá produtos de várias empresas credenciadas.  A escolha dos itens poderá ser realizada em poucos cliques e a compra finalizada imediatamente”. 

Fernando Salla, CEO da Effecti, startup especializada em tecnologia para licitantes, destaca que ainda é cedo para avaliações, porém toda busca por inovação nas compras públicas é positiva.

Para que o projeto siga adiante, o especialista explica que é preciso haver uma legislação que comporte as regras, além de uma solução tecnológica e normas para os processos de pagamento:

“Ainda é difícil indicar se terá ampla aceitação do mercado ou como trará valor seja em economicidade, seja em escala. É uma inovação de impacto para o setor e, como toda mudança, esta nova plataforma, dando certo ou não, provoca sim uma alteração no modo de pensar e agir entre licitantes e servidores públicos”.

Confira as vantagens do modelo:

Mais transparência: segundo explicação do Ministério da Economia, todas as operações terão que ser registradas, justificadas e serão passíveis de avaliação de controle,  incluindo a possibilidade de analisar se a decisão de comprar feita pelo gestor público foi a melhor para a administração. “Com todas as informações disponíveis em tempo real, vai ficar mais fácil identificar fraudes, além de permitir uma maior competitividade entre as empresas”, explica Fernando Salla. 

Mais agilidade: com os fornecedores habilitados previamente cadastrados, o governo vai poder  selecionar na prateleira virtual os produtos que atendam a sua necessidade e realizar a compra em poucos cliques. “No modo como as coisas são realizadas hoje, pode demorar meses para se concluir um processo de compra de itens básicos de escritório, por exemplo, o que acaba fazendo com que se compre um estoque, gerando custos de armazenamento”. Salla explica que a mudança vai trazer mais celeridade ao processo, facilitando a fase de pesquisa de preços por parte dos órgãos da administração pública. Para as empresas fornecedoras, o ciclo de compra tende a diminuir, permitindo que elas vendam ainda mais e recebam os pagamentos de forma mais rápida. 

Redução de custos: as compras públicas representam cerca de 10% do PIB, é um mercado que movimenta bilhões todos os anos. Isso acarreta em muitos custos administrativos e processuais para a administração pública. “Com o marketplace e a tecnologia, esses custos poderão ser reduzidos drasticamente. Além disso, também vai ampliar a competição, pois haverá uma quantidade maior de ofertantes do que em um processo comum, gerando uma redução de preços”, finaliza Salla. 

Mais oportunidades: os diferentes órgãos da administração poderão conhecer empresas de todo o país, permitindo que o fornecedor seja encontrado e prospectado diretamente, gerando mais oportunidades de negócios. Os players que já atuam em marketplaces para o mercado privado poderão entrar com maior facilidade no mundo das compras públicas aumentando seu escopo e mercado.

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