O que empresas que investiram em internacionalização aprenderam este ano

Segundo levantamento publicado pela Fundação Dom Cabral em setembro, o grau de internalização das empresas brasileiras em 2018 ficou em 21,6%, a primeira baixa em relação ao ano anterior.

Sem dados de 2019 e 2020, a tendência é o índice ter nova queda, principalmente com o contexto da pandemia e a refração econômica.

Ainda assim, algumas empresas tiveram no capital estrangeiro seus trunfos, sinal de que o movimento de expansão internacional no Brasil deve voltar a crescer, ainda que de forma lenta.

É o caso da Compufour, empresa de tecnologia de Concórdia. Com 25 anos de mercado, com foco principalmente no desenvolvimento de softwares para gestão de micro e pequenos negócios, a empresa chamou a atenção do grupo italiano Zucchetti, com atuação bastante similar na Europa

Após uma década no Brasil e quatro aquisições de pequeno porte, a multinacional investiu R$ 100 milhões para adquirir a Compufour.

Com mais de 6 mil colaboradores, a empresa italiana tem mais de 400 mil clientes no mundo inteiro e, no ano passado, faturou mais de 850 milhões de euros, aproximadamente R$ 5,6 bilhões.

“O Grupo Zucchetti vem expandindo significativamente seus negócios durante os últimos anos através de uma estratégia de crescimento orgânico e aquisições. Por isso, sempre estamos analisando e prospectando empresas que possam agregar valor ao nosso plano industrial de crescimento”, analisa o CEO da Zucchetti Brasil, Alessio Mainardi.

“Na matemática, o valor das duas empresas depois da aquisição vai muito além da somatória dos valores individuais justamente pelo grande potencial sinérgico que enxergamos nesta operação”, destaca.

Ele ressalta ainda que o funcionamento do PIX, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, e as inovações em open banking formam um contexto bastante propício para a expansão de negócios da empresa no país:

“Existe uma grande complementaridade dos ativos que cada empresa traz para o negócio. Estamos observando um movimento de aproximação dos bancos, instituições financeiras e fintechs com as software houses que trabalham com ERP ou software de automação comercial. Isso porque existe um entendimento de que as empresas de software podem influenciar as transações financeiras e a cadeia de valor. Faz todo sentido para a Zucchetti investir em uma empresa que movimenta através de suas soluções R$ 26 bilhões por ano”.

APROVEITANDO O CONTEXTO

O Befective, que desenvolve uma solução que ajuda empresas e colaboradores a gerenciar e analisar o tempo de trabalho de forma inteligente para aumentar a produtividade, iniciou seu processo de internacionalização durante a pandemia.

A empresa, que tem sede no México, decidiu expandir as operações para o Brasil entendendo que, no contexto de trabalho remoto, a solução seria muito útil para a gestão de equipes à distância.

“Nós entendemos que uma solução como a nossa, teria fit com o mercado brasileiro, especialmente neste momento de transição do trabalho presencial para o remoto, pois o Brasil é um país onde o home office ainda não era uma cultura estabelecida”, explica o CEO do Befective, Marciano Verdi.

Apesar da diferença nos mercados, ele percebe que os desafios enfrentados por gestores e colaboradores são semelhantes:

“Uma das chaves do sucesso em um processo de internacionalização é conhecer o mercado para o qual você está indo e adaptar seu produto ou serviço para aquela realidade. No caso do Brasil, as dores para a gestão remota são muito semelhantes às que vimos no México, por isso estamos tendo resultados muito bons no mercado brasileiro”.

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