O papel crucial da indústria de reciclagem animal

Por José Humberto de Souza, gestor da Agroforte.

As pessoas desconhecem, mas hoje, nós consumimos apenas uma parte do peixe que é pescado. Em alguns casos, este índice não passa de 35%. O restante, que correspondem a partes como vísceras, cabeça, ossos e rabo, são descartados.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Santa Catarina tem o maior polo pesqueiro do país. Mas, por trás de um indústria da pesca forte e que representa uma importante parcela da economia catarinense, existe um setor que passa despercebido e é fundamental para manter o funcionamento saudável desse segmento:  a indústria de reciclagem animal.

Sem a atuação da indústria de reciclagem de proteína, tudo o que não é aproveitado na indústria pesqueira teria como destino final os aterros sanitários. O despejo desses resíduos encurta o tempo útil dos aterros e pode gerar contaminação. Imagine diariamente mais de 180 toneladas de resíduos animais sendo jogados fora, um material que, ao se decompor, pode contaminar o solo e chegar aos lençóis freáticos.

Esses rejeitos têm um enorme potencial para a indústria de reciclagem, hoje a principal responsável por dar o destino adequado aos restos de pescados não aproveitados para a alimentação humana.

A Agroforte, com sede em Biguaçu, é uma das maiores indústrias do Brasil nesse segmento e, apenas no último ano, processou 45 mil toneladas de material.

A matéria-prima da Agroforte, os restos de peixes dispensados durante o beneficiamento, são recolhidos junto a indústrias e peixarias catarinenses. Na indústria de reciclagem animal, esses resíduos são processados e transformados em óleo e farinha.

Com um litoral que corresponde a 7% do território brasileiro, Santa Catarina tem atualmente 337 localidades onde a pesca artesanal é realizada, além de 700 embarcações para pesca industrial. Um mercado que gera 10 mil empregos, segundo o governo do Estado, e também alimenta a nossa indústria de reciclagem.

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